Deixei cair
o poema não-original na poça intitulada suja; o poema se quebrou todo, visto
que era sonoro mas sem arranjo; os catadores de papel, vidro e plástico
aproveitaram-no na primeira colação dos últimos sete dias sem medição do tempo;
ao mastigá-lo, o condutor do bonde praiano tornou infectada uma das palavras
zig-zagueadas; não era pra menos: todos os passageiros teriam vindo de longe a
conhecer o poema sem identidade; náusea, febre e suor refrigerado catalogados na
epidemia dos descostumes literários; os hospitais dos bares apinhados sem hora
marcada nos próximos trinta exemplares de jornal usados para segunda função;
tristeza e buzinas conviviam em plena ditadura do sol; rezavam e revezavam-se
sem fé pra que a chuva caísse antes da próxima vírgula de esquina; faltava
batata no mercadinho mas a chuva caíra; refrescava pouco mas era placebo dos
bons;
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