domingo, 28 de abril de 2013

Deixei cair o poema não-original na poça intitulada suja; o poema se quebrou todo, visto que era sonoro mas sem arranjo; os catadores de papel, vidro e plástico aproveitaram-no na primeira colação dos últimos sete dias sem medição do tempo; ao mastigá-lo, o condutor do bonde praiano tornou infectada uma das palavras zig-zagueadas; não era pra menos: todos os passageiros teriam vindo de longe a conhecer o poema sem identidade; náusea, febre e suor refrigerado catalogados na epidemia dos descostumes literários; os hospitais dos bares apinhados sem hora marcada nos próximos trinta exemplares de jornal usados para segunda função; tristeza e buzinas conviviam em plena ditadura do sol; rezavam e revezavam-se sem fé pra que a chuva caísse antes da próxima vírgula de esquina; faltava batata no mercadinho mas a chuva caíra; refrescava pouco mas era placebo dos bons; 

Nenhum comentário:

Postar um comentário