A palavra está
livre
A palavra
está no não-livro
A palavra
está no não-Louvre
A palavra
está nos lèvres das francesas
A palavra
está nos lábios dos larápios
A palavra
está na larva das moscas sem sopa
A palavra
das lavas vulcânicas das moças
A palavra se
diz contra diz se contradiz se contraria
A palavra se
muda a favor se muda a favor das mudas
Das árvores
das palavras do mundo não podo não posso
Não poder
desejo os nãos, as naus, as náuseas do phoder
Asnos, azes,
aos nós, aos laços, aos latrocínios
Da literatura,
da letra turra, da leiteira turva
Ao pé da
letra, pedala-se nas pétalas sem talo
O livre está
pala
O livro está
na vala
Os lèvres
são lábios
A palavra se
favoria nos contrachoros sem gatos uivantes
Das vores
sem ar, desejo os sins, as teses, os sussurros sem sus
A palivre
estalavra no incêndio melancólico dos umbigos
Dos Lars,
dos lares abandonados na tua infâmia Cia
Moeda de
trocadilho infanto, infausto, infartado
O coração
bate surdamente à procura da ignorância pura
Escreva pro
jornal e denuncie seu mau-humor estrábico
Torne e
entorne o seu medo dos iguais, das iguanas
Esgote na
pia tua bílis, teu olhar cinzento, teu reflexo
Onde a
palavra transborda no corpo translúcido
A ciência
debocha de si, do tempo, do método, dos sãos, dos seus.
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