domingo, 28 de abril de 2013


A palavra está livre
A palavra está no não-livro
A palavra está no não-Louvre
A palavra está nos lèvres das francesas
A palavra está nos lábios dos larápios
A palavra está na larva das moscas sem sopa
A palavra das lavas vulcânicas das moças
A palavra se diz contra diz se contradiz se contraria
A palavra se muda a favor se muda a favor das mudas
Das árvores das palavras do mundo não podo não posso
Não poder desejo os nãos, as naus, as náuseas do phoder
Asnos, azes, aos nós, aos laços, aos latrocínios
Da literatura, da letra turra, da leiteira turva
Ao pé da letra, pedala-se nas pétalas sem talo
O livre está pala
O livro está na vala
Os lèvres são lábios
A palavra se favoria nos contrachoros sem gatos uivantes
Das vores sem ar, desejo os sins, as teses, os sussurros sem sus
A palivre estalavra no incêndio melancólico dos umbigos
Dos Lars, dos lares abandonados na tua infâmia Cia
Moeda de trocadilho infanto, infausto, infartado
O coração bate surdamente à procura da ignorância pura
Escreva pro jornal e denuncie seu mau-humor estrábico
Torne e entorne o seu medo dos iguais, das iguanas
Esgote na pia tua bílis, teu olhar cinzento, teu reflexo
Onde a palavra transborda no corpo translúcido
A ciência debocha de si, do tempo, do método, dos sãos, dos seus.







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