Quando a poesia é uma forma de anti-mordaça dos punhais
pungentes ao encontrar com os vizinhos no elevador. Quando a poesia é uma fôrma
das vanguardas veladas para os enterros inglórios do dia vazio seguinte. Quando
a poesia é substância-verdade dos ritos e farsas sociais. Quando a poesia não é
palavra, nem idéia, nem libertação. Quando a poesia é rendada, puída e frágil
nas vestes da mulher seminua na beleza emprestada pelo sonho de um qualquer.
Quando a poesia é extensão da angústia plasmática que corre nas veias e
artérias do sujeito objeto. Quando a poesia é suor nos poros da
pele-tecido-nuvem cobrindo o mal-estar dos sentimentos díspares. Quando a
poesia incendeia o descaso, a dor e a overdose de hipocrisia injetada no poder
público ou privado. Quando a poesia é a serigrafia da angústia prima, azia dos
logradouros estúpidos da lipoânima.
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