domingo, 10 de fevereiro de 2013


Quando a poesia é uma forma de anti-mordaça dos punhais pungentes ao encontrar com os vizinhos no elevador. Quando a poesia é uma fôrma das vanguardas veladas para os enterros inglórios do dia vazio seguinte. Quando a poesia é substância-verdade dos ritos e farsas sociais. Quando a poesia não é palavra, nem idéia, nem libertação. Quando a poesia é rendada, puída e frágil nas vestes da mulher seminua na beleza emprestada pelo sonho de um qualquer. Quando a poesia é extensão da angústia plasmática que corre nas veias e artérias do sujeito objeto. Quando a poesia é suor nos poros da pele-tecido-nuvem cobrindo o mal-estar dos sentimentos díspares. Quando a poesia incendeia o descaso, a dor e a overdose de hipocrisia injetada no poder público ou privado. Quando a poesia é a serigrafia da angústia prima, azia dos logradouros estúpidos da lipoânima.




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